17.6.09

tempArar


O tempo começa a aquecer e as desejadas férias estão à porta.
É tempo para descansar e, sobretudo, abandonar hábitos «inconscientes» de vida rotineira, que nos vão alienando no dia-a-dia, tornando-nos como que autómatos de uma existência anódina e aparentemente sem ou com pouco sentido. É tempo de refletir, esquecer preocupações laborais e respirarmos o ar puro das emoções que abrem o olhar a novos horizontes.
O tempo começa a aquecer e começamos a despirmo-nos, envergando trajes mais leves; é tempo de abandonarmos as cargas e o estresse do quotidiano, despindo-nos dos hábitos diários e olhar o que nos cerca sob um novo prisma.
É tempo de lazer, mas também de trabalho interno da nossa consciência; talvez a altura para refletirmos se caminhamos pelo caminho que escolhemos ou se nos encontramos num qualquer atalho à procura do verdadeiro caminho, da nossa via interior.
O tempo passa por nós ou somos nós que passamos por ele? É tempo de ter tempo para pensar um pouco sobre a velocidade que queremos (ou estamos a) imprimir à nossa vida mas, e essencialmente, vivermos o tempo que nos é dado, de modo a conseguirmos atingir a plenitude da existência neste tempo em que não há (parece não haver) tempo para nada.
É tempo de parar (e de retemperar)!

3.6.09

pur'acaso

Nos anos 80, aquando da minha primeira estadia pela LusAtenas, saía o livro de Gilbert Durant, «Mitolusismos» de Lima de Freitas, um ensaio bem ilustrado e ilustrativo sobre o pintor dos arquétipos nacionais que melhor soube plasmar, sob a forma de arte, as «imagens obsessoras» do nosso imaginário enquanto Nação.

Nessa altura «fixei» essa obra, costumando amiúde desfolhá-la (na livraria perto do local de trabalho) e contemplar as suas excecionais ilustrações. Por o dinheiro não «dar para tudo» o que se gosta e, também, por vezes (como foi o caso) termos de tomar decisões consoante as contingências dos momentos, «esqueci-me» do livro, embora a imagem da capa (e outras interiores) me surgisse – qual nemésis – de tempos a tempos como um aguilhão torturador...

Na segunda-feira 1 passei (rapidamente) pela Feira do Livro do Porto e veio-me à ideia (mais uma vez) a imagem/recordação viva de Mitolusismos, e tive o '(pre-)sentimento' de que o livro não andaria longe... Pus-me então a «bater» os alfarrabistas da Invicta até que, por fim (ou início), após vinte anos de «busca», ele lá estava à minha espera... como se ainda não tivesse saído da estante da livraria de Coimbra!

Perante a minha pergunta, o proprietário da livraria, já não com a acuidade mnemónica de outrora, «apenas» se lembrava ter de Mestre Lima de Freitas uma ilustração d'Os Lusíadas. No entanto, uma sua colega, mais «atenta», com a impressão de que «havia qualquer coisa», foi procurar e trouxe-me «o» exemplar, contando-me depois parte da história de como ele veio parar às minhas mãos. Contou ela que muito pouco tempo antes de a livraria o ter adquirido, alguém havia passado por lá à procura do livro, tendo sido por «acaso» que não o encontrou...

E foi assim que, passadas duas décadas, adquiri (finalmente) essa relíquia do genial artista (que não me saía da mente) e que uma espécie de intuição me «guiou» até ao sítio onde me «esperava»...

Ele há coisas!... que o acaso (não) consegue explicar!...

2.6.09

bragança – in memoriam

Em 1578 desaparece nas terras tórridas de Marrocos o jovem e impetuosos rei Sebastião, deixando a nação com a terrível questão da sucessão real em mãos. Dois anos depois, Portugal passa para domínio dos espanhóis, ficando sob a sua tutela durante cerca de sessenta anos.

Entretanto, pouco a pouco, surgia na alma do povo a vontade de se livrar do jugo do estrangeiro, tendo sido decisivo para o brotar desse sentimento umas trovas que um tal sapateiro Bandarra havia composto...

A consciência do povo foi alargando-se e quando tudo estava a postos, em 1640, o ocupante foi mandado para casa, subindo ao trono D. João IV, iniciador da Dinastia de Bragança. Embora já não tão brilhante como as dinastias anteriores, esta família conta com grandes inteletuais, artistas e humanistas, tendo tragicamente desaparecido recentemente, no oceano, um dos seus membros.

1.6.09

política mente falando

Numa época de subtilezas de linguagem e de hermenêutica dos discursos feita pelos média à medida das massas, mais do que nunca é preciso estar alerta contra a alienação que fazedores de opinião e jornalistas vão criando, para não nos deixarmos enganar, e centrar a nossa atenção no discurso político. Mas que discurso? — perguntais.

Pois, isso aí é que é o diabo! Os ataques interpartidários, principalmente na esfera «central», e o tom monocórdico de que ninguém tem propostas é arrepiante e lamentável. Mas as eleições não são para o Parlamento Europeu? Para a sacrossanta união, chamada UE, um dos elementos da tríade que galopa a passos largos para a formação do chamado Governo Mundial? Parece que não!... Parece que anda tudo perdido, sem saber o que seja – e qual a implicação – desse novo inimigo disfarçado de altruísta e de salvador do estado miserável a que chegou o Velho Continente!

Eu não sou a favor deste modelo social (e tão-pouco económico) para a Europa, mas já que se tem que gramar com eles (ganhe o A ou ganhe o B), então que se discuta o que cada um dos candidatos tem em mente («programa») para nos representar. A política interna deve estar sempre presente, certo, mas pelo menos que digam quais as propostas que têm para os diversos temas (emprego/desemprego, educação, saúde, etc.), e deixem-se de oaristos e arrufos que nada dignificam as suas posturas e que servem apenas para assobiar para o lado perante problemas tão sérios como a nossa própria identidade enquanto país livre e estado de direito (infelizmente com uma democracia que em nada o dignifica).

competição

A sociedade moderna e o seu instrumento para formação e educação dos seus consumidores, a escola (com o seu porta-voz, os média), centra-se na competição como ideologia para se ser bem sucedido na vida. Aparentemente, não há nenhum mal nisso, antes pelo contrário, se a competição for um meio para alcançar esse objetivo e não o fim em si mesmo.

No entanto, na realidade, o que acontece é que o discurso e a prática centram o seu alvo naquilo que é acessório, deixando, assim, de lado aquilo que deveria ser o essencial, seja, o desenvolvimento e a evolução pessoais.

Neste tempo presente, em que a maioria das pessoas anda à deriva, à procura de uma salvação qualquer que lhes permita deixar de trabalhar (como se isso fosse a grande libertação das amarras da vida, simples e sem-sabor, que quotidianamente levam, por julgarem que é com bens materiais que preenchem o seu vazio ontológico), ou uma maneira de irem, sempre cada vez mais, alcançando galardões que lhes possam preencher o desejo de ultrapassarem a sua mediania, aparecem, por todos os lados, estimulantes para essa forma de se sentirem «alguém» a quem se possa chamar um vencedor.

E é precisamente este espírito de competição que faz com que, por exemplo, a essência da prática das artes marciais tenha sido completamente relegada para segundo plano e as tenham tornado em simples formas desportivas – com direito a presença nos jogos olímpicos e tudo – onde o objetivo já não é a disciplina quotidiana de «vencer-se a si próprio», mas apenas demonstrar que se é melhor do que os outros, os adversários.

Estes sinais (preocupantes) dos tempos, chegam também (mais facilmente) a formas de exercício físico que procuram proporcionar o bem-estar psicossomático, como a ginástica de salão, por exemplo. O problema não é a competição em si (necessária para apurar os melhores em qualquer modalidade desportiva), mas sim o espírito com que os participantes entram nas competições (e no próprio exercício das suas práticas), pois aquilo que deveria estar em primeiro lugar era o aperfeiçoamento pessoal e não o espírito de «luta» contra adversários exteriores, como se estivéssemos perante uma batalha na qual é preciso «defender os títulos conquistados». Porque se há uma luta a travar para podermos vencer (na vida), essa luta tem que ser travada connosco próprios – a pacificação da mente –, antes de podermos competir para «vencer» os outros...

30.5.09

crisológica

Vivem-se dias de dificuldade para os quais ninguém parece ter contribuído; é como se tudo o que se passa à nossa volta apenas diga respeito ao outro...

Mas, meditai bem, e vereis que cada crise tem a sua lógica, e que ela não sai fora dos limites das lógicas de atuação que cada um emprega no contacto com aquilo que nos rodeia.

29.5.09

mino

contam velhas lendas
que um belo dia
algures surgiria
um menino sem igual

tempos passaram; mas a magia
da lenda que outrora corria –
qual antiga profecia, agora virou real