De vez em quando aparece cada uma que é de bradar.
Agora, juntam-se cerca de uma centena de mulheres para correrem de salto alto... o que é um contra-senso à medida dos tempos que correm. Não entrarei em questões anatómicas, mas o que mete mais espécie é haver tanta gente a entrar nestes «grupos» – reflexo do desnorte (e da mania do que o que é «diferente», é (que é) bom, «original, inédito»...) que se vive nesta era complicada do Aquário... Está-se mesmo a ver a mediania a dirigir-se às sapatarias à procura de sapatos de salto alto... para treinarem para a próxima competição, e para aparecerem nos me(r)dia. :) Se calhar, para algumas, o salto é crescimento ou ascensão social, mas nada ensinam sobre a pedra no sapato, ou será o seu exemplo pacífico de manifestação como as maratonas e outras tonas a seguir à deriva para satirizar - o quê? As meretrizes dos palcos capitais do ioga de estrada e desbunda notívaga dos bairros persas?
O espetáculo também se consegue com ergonomia social e fantasia; embora não sejam estranhas as formas de se manifestar em casos concretos de vernissage, a socialite convive intramuros em vez de estarem a divertir o agiota do cais que antes de partir a loiça, partiu na nova rota para dar o salto... para o alto. É a marca do fado que tem cada pessoa por ser fadada a encontrar o caminho da águia joanina, ou continuar o ritual do peixe, empreendedorismo especulativo, ou improvisando verdadeiras manifestações de criatividade? – artistíca, profética, poética ou estratégica... em momento de crise aos trambulhões... a que só falta as tiranias do oriente extremo, criado pelos ares de uma longa e atribulada história... ou teremos que hipotecar de novo a pátria de Camões? O tipo destas manifestações sectárias sob a égide do desporto não ajuda muito, mas já são um sinal de que estamos vivos e a exercitar o corpo no manifesto do novo Bandarra para a new age – ou para o ciclo aquariano do recém-nascido mito da portugraalidade futura.
(Para quando uma corrida, pelas ruas de uma metrópole qualquer, com as intervenientes a correrem todos nus? Já agora... (até era mais «ergonómico» e tudo!).
Um dos nossos trunfos vai ser a capacidade, chamada talento de bem fazer, de recriar o mundo que cada um tem para si e para os outros de forma harmónica e fraternal, cordial e comuniticativa, mesmo perante situações ridículas ou tragédias anunciadas como as que diariamente são despejadas na galáxia da (contra-)informação.
Para dar o salto ainda falta comer muito sal ou chorar as lágrimas – como a chuva que vem do alto? É tempo de outros voos aqui na terra! Outro atributo necessário é a arte, o virtuosismo do bom desempenho e representação nos palcos das aldeias perdidas num labirinto de contradições entre o exercício do verbo e a e a (sic) sua expressão real... no mundo global a caminho da nova industrialização, por vezes sem engenho, de nível planetário. Para remar contra mares revoltos é preciso vontade, virtude e sangue frio – a vitória da tenacidade e esperança sobre o medo e a auto-comiseração castradora de desfiles exóticos de poder imaginário para as massas, moldáveis às mãos do verdadeiro líder. Mas também é preciso inventiva, recriar o mito e projetar a realidade para além da visão quadrada de uma qualquer calçada (com ou sem salto alto).
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21.6.09
1.6.09
competição
A sociedade moderna e o seu instrumento para formação e educação dos seus consumidores, a escola (com o seu porta-voz, os média), centra-se na competição como ideologia para se ser bem sucedido na vida. Aparentemente, não há nenhum mal nisso, antes pelo contrário, se a competição for um meio para alcançar esse objetivo e não o fim em si mesmo.No entanto, na realidade, o que acontece é que o discurso e a prática centram o seu alvo naquilo que é acessório, deixando, assim, de lado aquilo que deveria ser o essencial, seja, o desenvolvimento e a evolução pessoais.
Neste tempo presente, em que a maioria das pessoas anda à deriva, à procura de uma salvação qualquer que lhes permita deixar de trabalhar (como se isso fosse a grande libertação das amarras da vida, simples e sem-sabor, que quotidianamente levam, por julgarem que é com bens materiais que preenchem o seu vazio ontológico), ou uma maneira de irem, sempre cada vez mais, alcançando galardões que lhes possam preencher o desejo de ultrapassarem a sua mediania, aparecem, por todos os lados, estimulantes para essa forma de se sentirem «alguém» a quem se possa chamar um vencedor.
E é precisamente este espírito de competição que faz com que, por exemplo, a essência da prática das artes marciais tenha sido completamente relegada para segundo plano e as tenham tornado em simples formas desportivas – com direito a presença nos jogos olímpicos e tudo – onde o objetivo já não é a disciplina quotidiana de «vencer-se a si próprio», mas apenas demonstrar que se é melhor do que os outros, os adversários.
Estes sinais (preocupantes) dos tempos, chegam ta
mbém (mais facilmente) a formas de exercício físico que procuram proporcionar o bem-estar psicossomático, como a ginástica de salão, por exemplo. O problema não é a competição em si (necessária para apurar os melhores em qualquer modalidade desportiva), mas sim o espírito com que os participantes entram nas competições (e no próprio exercício das suas práticas), pois aquilo que deveria estar em primeiro lugar era o aperfeiçoamento pessoal e não o espírito de «luta» contra adversários exteriores, como se estivéssemos perante uma batalha na qual é preciso «defender os títulos conquistados». Porque se há uma luta a travar para podermos vencer (na vida), essa luta tem que ser travada connosco próprios – a pacificação da mente –, antes de podermos competir para «vencer» os outros...
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